quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Quarentena: memórias de um país confinado

Satisfação em participar da Antologia Quarentena: memórias de um país confinado com a poesia Coronavírus: o plano, pela editora Chiado.




sexta-feira, 18 de setembro de 2020

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Entre o trabalho e o cuidado

Entre o trabalho e o cuidado... Catharine é assim: chega de mansinho me chamando de pai, mô, iel... Logo me ganha...




terça-feira, 15 de setembro de 2020

O projeto de extensão Escuta Clínico-Política de Sujeitos em Situações Sociais Críticas e a roda de conversa sobre cultura Hip-Hop

Olá, pessoal.

Socializando o livro Juventudes e Contemporaneidade: Reflexões e Intervenções, de Jacqueline de Oliveira Moreira.

(Coleção - Coletivo Amarrações: Psicanálise e Políticas com Juventudes)

Foi um prazer participar da construção de um de seus capítulos intitulado O projeto de extensão Escuta Clínico-Política de Sujeitos em Situações Sociais Críticas e a roda de conversa sobre cultura Hip-Hop. 

Autores/as: Jaquelina Maria Imbrizi, Eduardo de Carvalho Martins, Marcela Garrido Reghin, Danielle Kepe de Souza Pinto e Daniel Péricles Arruda.

Clique AQUI para baixar.



terça-feira, 8 de setembro de 2020

Artigo - Lugar de Escuta: uma proposta metodológica para a mediação de conflito

Satisfação em construir mais essa parceria com Ricardo Vidal que culminou na elaboração do artigo Lugar de Escuta: uma proposta metodológica para a mediação de conflito, publicado na revista de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade de Guarulhos (UNG). 

Clique AQUI para baixar o artigo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Artigo - O que é Genocídio?

Salve, pessoal. Compartilho com vocês o meu artigo intitulado O que é Genocídio, publicado na revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN).

Clique AQUI para baixar o artigo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Imagens do Evento de Abertura do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Vivências Artísticas, Culturais e Periféricas

Salve, pessoal.

Socializo com vocês algumas imagens do Evento de Abertura do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Vivências Artísticas, Culturais e Periféricas, da UNIFESP, campus Baixada Santista.

Para discutir o tema da atividade, "Reflexões sobre a cultura hip-hop e as relações étnico-raciais", tivemos o prazer de contar com a presença de King Nino Brown e Ana Lúcia Silva Souza.

De fato, foi um momento especial, emocionante e de muito aprendizado.

...Assim, agradeço a todos/as pela presença!!!









quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Projeto Arte como Cuidado - UNIFESP/UEL

 Olá, pessoal! 

O projeto Arte como Cuidado, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Baixada Santista, em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), chegou ao fim. Nos seis encontros quinzenais, realizados durante os meses de maio, junho e julho de 2020, a finalidade foi discutir a arte e o cuidado, em tempos de pandemia, a partir da trajetória artística dos/as seguintes convidados/as: Felipe Augusto (Bobina MC), Regina Elias da Costa (Ziza), Israel Neto (Mano Réu), Akotirene Sylla, Carão e Júnia Costa. A todos/as vocês, nossos agradecimentos pela disponibilidade e por dividirem conosco conhecimento e sensibilidade. 

Agradeço à Profa. Dra. Liana e ao Prof. Me. Wesley, ambos da UEL, pela parceria, trocas e diálogos, assim como a todos/as que acompanharam as discussões e ajudaram na divulgação. 

Para que todos possam apreciar, socializamos a playlist com os encontros promovidos pelo projeto. Clique AQUI para assistir.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

O rap, a palavra e a escuta: aprendizados periféricos em um mundo desigual - Daniel Péricles Arruda (Vulgo Elemento)

 O rap, a palavra e a escuta: aprendizados periféricos em um mundo desigual

Daniel Péricles Arruda (Vulgo Elemento) 

Quando conheci a cultura hip-hop, me conheci. Quando comecei a cantar rap (rhythm and poetry/ritmo e poesia), me desenvolvi. E vivo assim, entre o rap, a palavra e a escuta. Uma tríade potente para refletir os aprendizados periféricos em um mundo desigual. Certo de que não é uma tarefa fácil falar sobre esse tema, mas o objetivo aqui é, poeticamente, expressar algumas vivências, lições e certos sentimentos que floresceram ao longo de anos de dedicação à cultura hip-hop, em especial, ao rap.

Vejam, sinto que é importante dizer que não sou um professor que canta rap; sou um rapper que decidiu construir um diálogo entre esses dois campos do conhecimento: a universidade e a rua... Não me sinto bem, sendo uma coisa só. Para mim, é triste ser uma ilha, mesmo que ela seja paradisíaca. Por isso, prefiro a pluralidade, que me faz sentir sujeito de desejo... E essa arte, em especial, é um caminho que venho construindo para cuidar da minha humanidade.

O rap, também foi, para mim, uma revolução por meio das palavras. O rap entrou na minha casa e alcançou a minha consciência. O rap me ganhou pelos ouvidos. O rap foi o meu primeiro “psicanalista”; com ele, apreendi a construir e a escutar as minhas palavras. Na adolescência, enquanto meu pai estava viajando a trabalho, no trecho, eu buscava no rap um pouco de colo: deitado na cama, chorando, com o fone de ouvido, até dormir mais tranquilo.

Quando acabava de escutar um rap, me sentia alimentado, forte, tipo: “Atitude, mano! Atitude, mina!”. Eu escutava a música e pensava: “Nossa, tem tudo a ver! Tudo a ver!”. E, de fato, para muitos jovens periféricos, o rap é uma forma de alimento, que nutre os sentidos, fortalece a existência e potencializa as ações. Eu fui percebendo que ouvir rap era muito mais do que ouvir uma música; era estar em uma aula musicada, que respeitava a minha cor, o meu cabelo, ou seja, o meu modo de ser.

Em diversos contextos, como na escola, na família e no trabalho, é comum ouvir: “A juventude não quer escutar”. Penso que, talvez, o problema não esteja na escuta, mas na qualidade do discurso e no modo como se fala. O rap fala diretamente com muitos jovens, usando a rima, o jogo de palavras, com refrãos que ficam cravados, ou com narrativas que proporcionam, de fato, a educação dos afetos.

O rap, por meio da palavra, segue pelo caminho da escuta para produzir subjetividades. O rap faz a palavra dançar, por isso é ritmo. Consequentemente, a palavra dançante subverte a ordem e a imaginação; por isso é poesia. Nessa trama, sem a escuta, o rap e a palavra ficam em questão. Refiro-me àquela escuta no sentido de não ter o ouvido como único canal de audição. Isto é, a escuta voltada para a leitura do corpo, da desobediência. Escutar não somente o ritmo das palavras, mas também do corpo poético e do mundo que o envolve.

Esses são alguns elementos que servem de base para a experiência periférica com o outro e com a vida cotidiana. Logo, é possível identificar aprendizados essenciais, como a sobrevivência, a humildade, a solidariedade, a desmistificação de que os sujeitos periféricos não são perigosos ou incapazes, o respeito, o diálogo. Esse debate é profundo. Mas, em particular, o rap me ensinou a decodificar as desigualdades, me ensinou a diferença entre teoria e prática, me ensinou que tenho o direito de reivindicar a vida, me ensinou que periferia não é somente uma condição geográfica e social, e sim um sentimento, e pulsante.

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Texto apresentado na live do dia 08/08/20. Clique AQUI para assistir.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Algumas Pistas sobre Grupos


Algumas Pistas sobre Grupos

Um grupo não se faz, apenas, por meio de um conjunto de pessoas.

Cada grupo tem o seu valor, a sua intencionalidade, constituição, dinâmica, intensidade e decomposição. Quer dizer, não é possível fechá-lo numa caixa; daquelas que a gente usa para guardar coisas pequenas...

O mundo é grupal, gente!

Porém, muitos se encontram sozinhos, mesmo estando rodeados de pessoas. Os grupos, então, contêm a sua potência subjetiva. Isto é, a questão não é somente quem faz parte, mas como o sujeito se sente ao fazer “parte”. Grupos que grupalizam, grupos grupalizados, grupos grupalizantes...

Vejam bem, é importante pensar que vivemos em diversos grupos e que, às vezes, não percebemos, sejam grupos presenciais, ou virtuais; são grupos. Há grupos constituídos por vínculos de sangue, nome, profissão, territorialidade. Outros são constituídos sem que sequer saibamos o nome de quem está sentado ao lado. Que grupo será esse?

Enfim, essas são algumas pistas; reflexões para que possamos construir outras pegadas, para que as palavras, nos ouvidos, não sejam engasgadas, e que as ações grupais, no cotidiano, não sejam embargadas... Resumindo, grupos carregam aquela plaquinha: “Em construção”...

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Texto apresentado para os/as discentes da disciplina Oficina do trabalho profissional: instrumentalidade, estratégias grupais e socioterritoriais, do curso de Serviço Social - UNIFESP, campus Baixada Santista. Disciplina ministrada pelos/as docentes: Daniel Péricles Arruda, Gisele Aparecida Bovolenta e Luzia Fátima Baierl.

sábado, 1 de agosto de 2020

VI Congresso Internacional Transdisciplinar sobre a Criança e o Adolescente


VI Congresso Internacional Transdisciplinar sobre a Criança e o Adolescente
(29 de julho a 01 de agosto de 2020)

Data da atividade: 01/08/20, às 12h
Mesa redonda: Adolescência e Raça

Aproximações ao debate sobre o suicídio de adolescentes e jovens negros no Brasil 
Daniel Péricles Arruda.

Produções discursivas a partir do significante cor da pele e suas implicações na constituição do sujeito
Karla Mariana Fernandes Guimarães de Marchi, Selma Boaventura e Sérgio Lopes de Oliveira.

Construção da identidade da população negra
Lucélia Patrício da Silva e Mariana Negri.



sexta-feira, 31 de julho de 2020

VI Congresso Interdisciplinar e Transdisciplinar sobre a Criança e o Adolescente

Hoje, Júnia Silva da Costa e eu apresentamos o simpósio sobre Narrativas de Adolescentes em Contexto das Medidas Socioeducativas, no VI Congresso Interdisciplinar e Transdisciplinar sobre a Criança e o Adolescente, realizado pelo Instituto Langage (29/07/20 a 01/08/20).

(Clique na imagem para ampliá-la)
                                                 

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Arte como Cuidado - UNIFESP

Salve, pessoal.

Nesta sexta-feira será realizada a última edição do projeto Arte como Cuidado.

(Clique na imagem para ampliá-la)

Clique AQUI para acessar a atividade.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

O Retardatário - Vulgo Elemento (Videoclipe)




Vivências profissionais das oficinas de rap e poesia realizadas no Centro de Atendimento ao Adolescente (Cead), 𝐎 𝐑𝐞𝐭𝐚𝐫𝐝𝐚𝐭á𝐫𝐢𝐨 nasce da relação entre o trabalho de escuta de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa e o filme Querô...

A composição e a interpretação apresentadas no videoclipe visam demonstrar algumas narrativas de adolescentes e jovens periféricos, bem como as indiferenças e invisibilidades que os fazem sentir retardatários nessa estrada sinuosa e conturbada que é a vida...

Assista o videoclipe AQUI.


quinta-feira, 9 de julho de 2020

Luto - Descanse em paz, amigo CAX


Luto
...

Descanse em paz, amigo Eduardo Ferreira (CAX – Considerado Ativista X)... Que a sua passagem seja tranquila... Que seus familiares e amigos sejam confortados...
...Em sua homenagem, tirei parte do dia para ouvir as suas músicas e relembrar algumas histórias...
CAX foi integrante do grupo de rap chamado Arezona... Com Everton Factor EF Arezona Inflamável, apresentou ao rap mineiro um som inovador, contagiante, com flow diferenciado e ideias críticas acerca dos sujeitos periféricos e seus desafios... Um estilo de som que envolve o público, por isso marcou uma geração e está gravado na história da cultura hip-hop de Minas Gerais.
Não somente pelas músicas, mas CAX deixa para mim a marca de um mano humilde, de linguagem simples e, ao mesmo tempo, potente... Era um mano que não se perdeu, diante do reconhecido talento...
Por isso, em respeito à sua memória e história, presto esta homenagem, convocando todos/as que estiverem lendo este texto a cantar o refrão de uma das músicas do grupo, diga-se de passagem, música que me arrepiava todas as vezes em que eu a ouvia:
“A-re-zo... Arezoonaaa.../ A-re-zo... Arezoonaaa.../”
Um salve, parceiro!!!

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Arte, Racismo e Serviço Social




Arte, Racismo e Serviço Social

Prof. Dr. Daniel Péricles Arruda (Vulgo Elemento)
Texto apresentado, em 16/06/20, no Ciclo de Lives do Serviço Social, realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Há discussões tão complexas que só consigo fazê-las por meio da arte. Por isso, gostaria de apresentar-lhes um texto reflexivo para que possamos dialogar sobre arte, racismo e Serviço Social...

O que é arte? O que há dentro desse guarda-chuva? Trata-se de uma palavra pequena que contém coisas grandes. Arte é conhecimento. É caminho de passagem para outros saberes. Arte é linguagem, produz linguagens. É mediação entre o sujeito e a cultura. É caminho de acesso ao mundo interior. É um modo de fugir da realidade, mas também de encontrá-la. Arte é muitas coisas. Arte não é tudo e nem tudo pode e consegue ser arte, pois chamar de arte uma escultura, ou monumento, que representa o colonizador, é continuar violentando simbolicamente os africanos e todas as suas gerações, como a minha... E, digo mais, manter erguida a estátua do colonizador é parabenizá-lo eternamente por seu malfeito.

Estão vendo como falar de arte é difícil... Por isso, prefiro a arte que toca, que desperta a humanidade para a diversidade...

A arte tem condição de ser um instrumento sensível para adentrar ideologias racistas e, como cupim, iniciar uma revolução por dentro... A arte pode nos revelar o nosso inconsciente... A arte toca na subjetividade e produz várias outras...

A música, a poesia, a dança, o teatro, a pintura, enfim, falo de arte sem censura, todas podem ser utilizadas para despertar ou agregar valor ao sujeito, servir de espelho, para romper invisibilidades e ressignificar marcas da discriminação racial... Essas são algumas pistas para falar sobre o racismo...

Certamente, vocês já escutaram ou leram essa frase em algum lugar: “Ninguém nasce racista”. Porém, nosso país é referência em formar sujeitos racistas... São questões importantes: Como se dá a formação do sujeito racista? Por que existe o racismo?

O racismo desenvolve-se de muitas maneiras. Age como vírus. É cruel. Machuca. Fere. Perturba. Mata.

Manifesta-se nos discursos, em pequenas palavras, nos atos falhos, nos chistes, nos gestos... Ora é cordial, cínico, ostensivo, irônico, recreativo, e na essência é estrutural, como expresso em um dos meus versos:

“Porque o racismo é estruturalmente estrutural”.

“Temos que ocupar todos os lugares...

Vamos unir forças...

Vamos estudar e transformar a história...

Vamos nos manifestar, exigir e argumentar...

Mesmo sabendo que nenhum/a negro/a está imune aos efeitos do racismo,
que é estruturalmente estrutural...

Mesmo que tenha diploma, mesmo que more em área nobre, mesmo que fale inglês, árabe, francês...

O racismo sempre dá um jeitinho para nos alcançar... É só olhar direitinho...

E essa talvez seja uma de suas estratégias de atuação:
‘Mesmo que te escondas, eu te encontro.’”

O racismo é estruturalmente estrutural porque vem desde a raiz. O racismo nos ataca, seja com tiros ou com palavras, seja em direitos que nos são negados, tirados, fragilizados. O racismo é tão perverso que o sujeito que o sofre é visto como culpado. Talvez seja por isso que muitos se silenciam. Para não sofrer duas vezes.

Quem nunca ouviu algo do tipo, ao relatar que sofreu racismo: “Amiga, será?”; “Isso é coisa da sua cabeça!”; “Ai, mas tudo pra você é racismo!”; “Era só uma brincadeira!”; “Ela não é racista. É o jeito dela!”; “Não, ele jamais faria isso. Ele é casado com uma mulher negra!”; “Você tem que se tratar, amigo. Você está com mania de perseguição”.

Aqui, façamos de conta que o sujeito, ao ser desacreditado de sua narrativa, desesperado, resolva procurar ajuda profissional, e o profissional repete de um modo profissionalizado o mesmo discurso dos amigos.

Percebam como é difícil provar que o racismo existe, mesmo acontecendo de maneira escancarada.

A palavra é a prova. Se temos que provar a prova, quer dizer que temos um enorme problema a ser resolvido...

O racismo não é culpa do sujeito negro. O racismo revela o outro, que não aceita conviver com o diferente. Mas há contradições. Não dá para analisar essa questão ligando um ponto ao outro...

Parei outro dia para distrair, liguei a televisão, mas como é possível se distrair no inferno?

- Adolescente é morto dentro de casa com tiro de fuzil no Rio de Janeiro... (João Pedro);
- Criança de 5 anos morre após cair do 9o andar de prédio no centro do Recife (Miguel);
- Morte de homem negro filmado com policial branco ajoelhado em seu pescoço causa indignação (George Floyd).

Do que essas mortes nos falam? Falam que o sujeito negro é altamente descartável. Demonstram que é preciso verificar realmente se a escravização acabou ou se aperfeiçoou, principalmente no Brasil, lugar que ainda se diz: criado mudo, mulata, inveja branca. Essa vocês conhecem: Denegrir! Porque não falam debranquir?

Enfim, um país em que há leis contra o racismo, mas que ninguém é seriamente responsabilizado, que não assume ou não quer reconhecer os impactos do racismo no desenvolvimento psíquico do sujeito...

Agora, lembro-me das mães que já atendi e que relatavam ter medo de seus filhos saírem nas ruas, principalmente à noite...

Se você é mãe de filho preto, me ouça: A sua preocupação faz sentido. É o medo de perder o filho, pelo cano, pela pólvora, pelo tiro... O seu sentimento é legítimo... Por isso, é importante o diálogo, a escuta, a troca entre grupos de mães... São trilhas...

Percebo que esses são alguns elementos importantes para tratar do racismo e da arte, em nossa sociedade, bem como para tratá-los no núcleo e não nas periferias das profissões, para que possamos vê-los de modo plural e aprofundado nas disciplinas, nos projetos de extensão, na proposição de caminhos metodológicos para a construção e interação do conhecimento, na intervenção e supervisão profissional e no cuidado de si. Para isso, enfatizo que a arte é importante para provocar a mudança interior, aquela que se externaliza na cotidianidade, ou seja, a arte como modo de escuta e acolhimento do sujeito na perspectiva da educação para as relações étnico-raciais...

quarta-feira, 17 de junho de 2020

terça-feira, 16 de junho de 2020

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Não podemos parar de sonhar - Vulgo Elemento


Não podemos parar de sonhar

O mundo já não é mais o mesmo...
A pandemia tem mexido com as estruturas sociais, econômicas, culturais, artísticas e psíquicas... Mexido com o planeta...
A situação não é fácil...
Porém, humildemente, gostaríamos de dizer uma coisa...
Não podemos parar de sonhar... E nem abandonar os nossos sonhos...
O sonho é importante para alimentar a vida...
O sonho nos coloca em outra dimensão, assim, é possível enxergar diferente...
O sonho é o nosso político interno, que se externaliza nos discursos... Em nossas palavras... Assim, talvez, seja possível lidar com nossos desejos e nossas angústias...
É importante tomar esses sonhos como linguagem, como desejos falseados de múltiplas expressões a serem interpretadas.
Sonhos diurnos e sonhos noturnos...
Sonhamos e, às vezes, nem percebemos. E, quando percebemos, o que fazemos?
Eis a questão.
Há também outro sentido para o sonho... Entendido como objetivo, que traçamos ao longo da vida, como meta, ponto de chegada... Mas, para muitos, essa vida é uma ribanceira, um zigue-zague... Nem sempre dá para chegar a algum lugar em razão da desigualdade, da opressão e do abandono...
Daí a importância de sonhar, pois quando sonhamos, independentemente da forma, estamos lutando para existir...
E o nosso desejo é existir em coletividade, com vocês, e com todos que desejam um mundo melhor.
Vocês estão com a gente?

(Vulgo Elemento)

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Texto apresentado no Encontro de Supervisores/as de Estágio do curso de Serviço Social da UNIFESP, campus Baixada Santista.

sábado, 6 de junho de 2020

Saquinho de Pipoca


Saquinho de pipoca 

Perdeu, perdeu, perdeu...

Perdeu a capacidade de me ver como gente.
Se é que um dia teve.

Tô tranquilo... Tô limpo... Tô de boa, Zé!

Iiih... Não tô fazendo nada não, Tio.
E mesmo se estivesse. Não sabe conversar, não?

Calma, aê! Por que você me olha assim?
Só de olhar pra mim já sente medo...

Atravessa a rua, faz o sinal da cruz. E se eu fosse Jesus?
Vai, chama os zomi, então.

Chegaram:

- “Perdeu, ladrão. Cadê a arma?”

Não tenho arma não, senhô!

- “E o que é isso aí, nas mãos?”

É apenas meu saquinho de pipoca... Posso abrir, senhô?


(Vulgo Elemento)

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Poesia inspirada no artigo Pedagogia da Crueldade: racismo e extermínio da juventude negra, de Nilma Lino Gomes e Ana Amélia de Paula Laborne, de 2018.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Porque o racismo é estruturalmente estrutural


𝐏𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐫𝐚𝐜𝐢𝐬𝐦𝐨 é 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐮𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐮𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥⁣
Temos que ocupar todos os lugares...⁣
Vamos unir forças...⁣
Vamos estudar e transformar a história...⁣
Vamos nos manifestar, exigir e argumentar...⁣
Mesmo sabendo que nenhum/a negro/a está imune aos efeitos do racismo, que é estruturalmente estrutural...⁣
Mesmo que tenha diploma, mesmo que more em área nobre, mesmo que fale inglês, árabe, francês...⁣
O racismo sempre dá um jeitinho para nos alcançar... É só olhar direitinho...⁣
E essa talvez seja uma de suas estratégias de atuação: ⁣
“Mesmo que te escondas, eu te encontro”.⁣
(Vulgo Elemento)


sexta-feira, 29 de maio de 2020

Pandemicídio


𝐏𝐚𝐧𝐝𝐞𝐦𝐢𝐜í𝐝𝐢𝐨⁣⁣
⁣⁣
Quando os sujeitos são colocados à deriva...⁣⁣
Os corpos se descorporificam na brisa fina...⁣⁣
Que rasga, que mata, que elimina...⁣⁣
A minha vida, a sua vida. Não há saída!⁣⁣
⁣⁣
E é isso o que eles fazem:⁣⁣
⁣⁣
Pandemicistas propagam pandemicídio pelas periferias: patifes.⁣⁣
⁣⁣
Sim! Estamos numa fase de extrema mudança...⁣
É como se estivéssemos parados dentro de um túnel, e sem enxergar aquela luz que dizem trazer esperança... Mas que também pode ser o farol do trem...⁣⁣
⁣⁣
Já pensou vivermos daqui pra frente, eternamente, sem contato físico,⁣ sem aglomerações, com todo mundo usando máscaras?⁣⁣
⁣⁣
E é isso o que eles fazem:⁣⁣
⁣⁣
Pandemicistas preferem promover pânico público permanentemente.⁣⁣
⁣⁣
Estou com fome: E daí?⁣⁣
Estou com sede: E daí?⁣⁣
Estou com medo: E daí?⁣⁣
Eu morri ontem à noite: E daí?⁣⁣
⁣⁣
(Vulgo Elemento)

terça-feira, 26 de maio de 2020

Arte como Cuidado: reflexões em um período pandêmico



𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐂𝐮𝐢𝐝𝐚𝐝𝐨: 𝐫𝐞𝐟𝐥𝐞𝐱õ𝐞𝐬 𝐞𝐦 𝐮𝐦 𝐩𝐞𝐫í𝐨𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐧𝐝ê𝐦𝐢𝐜𝐨⁣⁣
⁣⁣
Em muitos eventos da história, a arte tem estado presente como proteção e acalanto. A arte é uma dimensão ampla, por isso, aqui, quero tratá-la de maneira específica, voltada para o cuidado humano em tempos de pandemia...⁣⁣
⁣⁣
O ser humano não vive sem cuidado. Cuidar não é uma expressão qualquer, pois aprendemos a cuidar, por exemplo, para manter a nossa existência e dar sentido à vida. O cuidado é o que nos faz olhar para o outro, que não é o outro, mas si próprio, e, até mesmo, um pouco de mim e de você, e reconhecer humanidade. Cuidado é nos preocuparmos com o outro, respeitando a sua liberdade. Portanto, também é amor, no sentindo de valorizar a vida...⁣⁣
⁣⁣
Vou direto ao assunto: Quanto mais pesada, dura e áspera for a vida, mais taças de poesias devemos ingerir; mais quadros temos que pintar; mais músicas temos que cantar; mais corpos temos que mexer e balançar... Porque a vida é difícil demais, gente! E, às vezes, precisamos fugir para nos encontrar. Isolado, mas não ilhado, sabem como eu estou? Em estado avançado de composição.⁣⁣
⁣⁣
Que fita louca! Que mundo louco é esse que grita para nascer, e onde as pessoas morrem como se não fossem nada: são plastificadas, encaixotadas, praticamente jogadas em valas, sem despedida, sem adeus, sem um último toque no rosto, um olhar, uma oração, um canto, sem velório. O que fica é um vazio cheio de sofrimento e indignação. O que fica é um silêncio que grita e um grito que silencia... A sensação é que qualquer um pode sumir a qualquer hora...⁣⁣
⁣⁣
Necropolíticos dão risadas em seus gabinetes. Importante frisar: necropolíticos não cuidam, não se preocupam.⁣⁣
⁣⁣
E aí é que se pode pensar a arte como cuidado, não como remédio para o tédio do isolamento, mas como caminho de criação ou absorção para lidar com a angústia, a revolta, a indiferença, o abafamento... Seja para liberar energia ou energizar-se de esperança e valor.⁣⁣
⁣⁣
Cuidemo-nos!⁣

(Vulgo Elemento)

terça-feira, 19 de maio de 2020

Dona Célia


Nos últimos dias, recebi a notícia do falecimento da Sra. Célia Aparecida Gomes Cunha, acometida pelo Covid-19.
Sinto-me tocado em compartilhar algumas poucas e sinceras palavras de carinho e solidariedade aos familiares, amigos/as e professores/as. Principalmente, como uma simples maneira de homenageá-la...
Dona Célia foi minha aluna no curso de Serviço Social da Anhanguera, no primeiro semestre de 2019. Era uma mulher sonhadora, esforçada e com muitas histórias. Algumas eram socializadas com todos/as da turma; outras, durante o intervalo ou no final da aula. Histórias sobre suas vivências comunitárias, familiares e políticas, seu salão de beleza, seus projetos para após a conclusão do curso, enfim... Lembro-me que, quando contava suas histórias, seus causos, ao término, vinha uma risada... Eu adorava! Eram relatos engraçados e seguidos de aprendizados. Produziam leveza e empatia.
Era um de seus caminhos para produzir e lidar com o conhecimento: relacionando as discussões de sala de aula com a sua experiência de vida. Ela se empenhava para aprender e para superar limitações... Nesse movimento, também me ensinava... Ela se descobria... Se reinventava... Se desejava naquele lugar...
Enfim, Dona Célia certamente deixa suas histórias, memórias e saudades, que não permitem vê-la como parte de um dado estatístico, e sim como alguém que, pela vida, tinha amor...






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