segunda-feira, 12 de abril de 2021

I Seminário sobre Arte e Serviço Social da Unifesp, campus Baixada Santista - Mesa I e II

 Olá, pessoal.

Socializando as fotos e os links do I Seminário sobre Arte e Serviço Social da Unifesp, campus Baixada Santista.

Mesa 1 - Discutindo formas de resistência por meio da arte

Amanda Rocha de Oliveira - Do sangue à fúria: a poesia como resistência lésbica

Mariane Suzze Pereira - O samba como expressão dialética de valores na sociabilidade brasileira na década de 1970: conformismo e resistência

Link: clique aqui.

Mesa 2 - Arte como cuidado

Ana Carolina de Freitas - A arte-educação e redução de danos: o consultório de rua de Belo Horizonte e a ampliação da vida

Felipe Augusto - Arte e saúde mental: atos e relatos de experiência

Link: clique aqui.

As próximas mesas acontecerão nos dias 17 e 24/04/21.

Informações: clique aqui.








quinta-feira, 8 de abril de 2021

I Seminário sobre Arte e Serviço Social da Unifesp, campus Baixada Santista

 


Em razão do grande número de interessados, o Seminário será transmitido no Youtube (Clique aqui). O certificado será disponibilizado somente para aqueles que participarem da atividade online, mediante assinatura da lista de presença! Desse modo, não é necessário fazer inscrição. Informações: seminarioarteeservicosocial@gmail.com



quinta-feira, 1 de abril de 2021

Situações das Pessoas - Vulgo Elemento

 Situações das Pessoas

Pessoas em situação de rua

Pessoas em situação de casa

Pessoas em situação de marquise

Pessoas em situação de estrada

 

Pessoas em situação de sofrimento

Pessoas em situação de calçada

Pessoas em situação de desespero

Pessoas em situação de praça

 

Pessoas em situação de riqueza

Pessoas em situação de alegria

Pessoas em situação de pobreza

Pessoas em situação de ira

 

Pessoas em situação de escuta

Pessoas em situação de palavra

Pessoas em situação de fala

Pessoas em situação de calma

 

Pessoas em situação de rancor

Pessoas em situação de clamor

Pessoas em situação de dor

Pessoas em situação de amor

 

Pessoas em situação de pessoa...


(Vulgo Elemento)

segunda-feira, 22 de março de 2021

I Seminário sobre Arte e Serviço Social da Unifesp, campus Baixada Santista

 I Seminário sobre Arte e Serviço Social da Unifesp, campus Baixada Santista

(Clique na imagem para ampliá-la)

Inscrições: clique aqui.

Informações ou dúvidas: seminarioarteeservicosocial@gmail.com

quinta-feira, 11 de março de 2021

Dimensões Subjetivas do Racismo Estrutural (ABPN)

Olá, pessoal!

Socializo o meu artigo Dimensões Subjetivas do Racismo Estrutural, publicado na revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN).

Para baixá-lo, clique aqui.

Clique na imagem para ampliá-la.







quinta-feira, 4 de março de 2021

"sua arte não é a quantidade de pessoas..." (Rupi Kaur)


sua arte
não é a quantidade de pessoas
que gostam do seu trabalho
sua arte 
é
o que seu coração acha do seu trabalho
o que sua alma acha do seu trabalho
é a honestidade
que você tem consigo
e você
nunca deve 
trocar honestidade
por identificação

- a todos vocês poetas jovens

(Rupi Kaur)

 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Live de lançamento do livro "O juvenicídio brasileiro: racismo, guerra às drogas e prisões", da Profa. Dra. Andréa Pires Rocha (UEL).

 (Clique na imagem para ampliá-la)

Para acessar a atividade, é só clicar aqui.

Homenagem à professora Débora David

 


... A gente sabe que a vida é curta, um sopro. Por vezes, uma estrada longa ou um piscar de olhos... Talvez a vida não tenha tamanho, mas histórias, memórias, sentimentos... Na vida, cada um tem o seu valor especial...

Essas são algumas reflexões que me surgem ao pensar na assistente social e docente Débora David, que nos deixou recentemente. Débora foi minha professora na PUC Minas: corajosa, responsável, comprometida com o Serviço Social, tanto na formação quanto na atuação. De suas aulas, ensinamentos que me acompanham até hoje, ficaram as discussões sobre o trabalho com grupos, o manejo e a escuta, a relação entre teoria e prática, seus relatos de experiência, que eram muitos...

A sua passagem contribui para a formação de vários assistentes sociais e a sua trajetória foi luz no caminho de muitos...

Com carinho, aos familiares e amigos!

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Publicações da revista Argumentum (Ufes)

 Olá, pessoal!

Socializo com vocês o artigo da Profa. Dra. Andrea Pires Rocha intitulado Segurança e Racismo como Pilares Sustentadores do Estado Burguês.

A convite de Andrea, foram elaborados outros dois textos interlocutores, um de Elaine Cristina Pimentel Costa: A Segurança Pública a partir de Lentes Interseccionais sobreRaça, Classe e Gênero e o outro, de minha autoria: Sujeitos Periféricos como Metáfora da Violência: Reflexõesa partir da Música O Bagulho é Doido, do Rapper MV Bill.

Os três trabalhos foram publicados na revista Argumentum, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Registro aqui a minha estima e os agradecimentos às Profas. Andrea e Elaine pela oportunidade de compor essa tríade reflexiva.



sábado, 19 de dezembro de 2020

Porque o racismo existe - Vulgo Elemento


Porque o racismo existe

O racismo machuca, corta a pele, invade a nossa mente e causa perturbação...

Gente, isso não é coisa da nossa cabeça!

Ao contrário, o racismo parte da cabeça do sujeito racista, e nos atinge como uma flecha.

Às vezes, o corpo até arrepia, né?! Os olhos ficam marejados, dá vontade de chorar, né?!

Sabem por quê? Porque estamos falando das nossas raízes!

Somos povo, memória, glória... Somos ancestralizados e marcados pela história... Somos presente e lutamos por um mundo melhor.

Mas o racismo nos coloca como feios, burros, inúteis, preguiçosos, inferiores, incapazes, inexistentes, matáveis, doentes, invisíveis, mentirosos e desprezíveis...

Duvidam das nossas narrativas sobre o racismo, como se fôssemos culpados do racismo que sofremos: “A culpa é sua. Quem mandou ser preto?!”.

Não coloquem na minha conta, essa culpa. Não vou pedir desculpas.

Vejam esse caso: Jovem negro e periférico, ao sair de casa, diz:

- “Bênção, mãe! Tô saindo!”

A mãe, por sua vez, responde:

- “Meu filho! Pelo amor de Deus, volte vivo. Volte vivo, porque você é tudo o que eu tenho. Se eu te perder, eu me perco também.”

Falas de mãe mexem comigo. Voz de mãe preta é voz de África, e não podemos nunca nos esquecer disso.

Temos o direito e o desejo de sair sem morrer, de passar pelo outro, na mesma calçada, sem que o medo imponha desvios. De respirar sem sermos estrangulados e asfixiados, nas praças, nos supermercados e, até mesmo, dentro de casa.

Alimentemo-nos da chama da justiça e da felicidade, considerando uma simples e importante questão:

Se o racismo atua até pelo ar, de qual outra maneira, mais, poderá nos afetar?




 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Chamada: Prazer, Coringa!

 Contagem regressiva para o lançamento do Lyric Video: Prazer, Coringa!


(Clique na imagem para ampliá-la)




quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Racismo Estrutural: enfrentamento transdisciplinar antirracista - Instituto Langage

 Racismo Estrutural: enfrentamento transdisciplinar antirracista - Instituto Langage

Apresentação do artigo Sobre a procura de um/a analista negro/a: psicanálise e relações étnico-raciais.

(Clique nas imagens para ampliá-las)






quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Personalidades Negras - Mulheres e Homens Negros Invisibilizados no Brasil

Socializando o resultado do edital 𝐏𝐞𝐫𝐬𝐨𝐧𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐍𝐞𝐠𝐫𝐚𝐬 - 𝐌𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫𝐞𝐬 𝐞 𝐇𝐨𝐦𝐞𝐧𝐬 𝐍𝐞𝐠𝐫𝐨𝐬 𝐈𝐧𝐯𝐢𝐬𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐧𝐨 𝐁𝐫𝐚𝐬𝐢𝐥 – Selo Sueli Caneiro, editora Jandaíra, com curadoria de Djamila Ribeiro. 

E é com alegria que estou entre os/as autores/as cujos trabalhos foram selecionados. Agradeço aos organizadores do edital e, em especial, ao King Nino Brown por compartilhar sua história de vida e sua trajetória artística e militante para que eu pudesse escrever o artigo aprovado: 𝐃𝐨 𝐌𝐨𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐒𝐨𝐮𝐥 à 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐇𝐢𝐩-𝐇𝐨𝐩: 𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐣𝐞𝐭ó𝐫𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐊𝐢𝐧𝐠 𝐍𝐢𝐧𝐨 𝐁𝐫𝐨𝐰𝐧.⁣

(Clique nas imagens para ampliá-las)






quarta-feira, 25 de novembro de 2020

III Simpósio: Educação Popular, a construção e desenvolvimento de práticas educacionais (GAPAF - UNESP Franca/SP)

III Simpósio: Educação Popular, a construção e desenvolvimento de práticas educacionais, promovido pelo grupo de extensão Grupo de Alfabetização Paulo Freire (GAPAF), UNESP-Franca, SP

Conferência: "A arte como experiência sensível: cultura, educação e juventudes periféricas"

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"[...] O palhaço para os jovens periféricos pode ser uma figura muito importante. Por quê? Muitas pessoas pensam que o palhaço para eles tem a ver (somente) com a criminalidade. Ao trabalhar com os jovens fui percebendo outras leituras: como a infância, como aqueles que nunca foram ao circo, como aqueles que recordam de um brinquedo que quebrou, como a referência do pai...”











III Simpósio: Educação Popular, a construção e desenvolvimento de práticas educacionais (GAPAF - UNESP Franca/SP)

III Simpósio: Educação Popular, a construção e desenvolvimento de práticas educacionais, promovido pelo grupo de extensão Grupo de Alfabetização Paulo Freire (GAPAF), UNESP Franca/SP.

Conferência intitulada "A arte como experiência sensível: cultura, educação e juventudes periféricas".





segunda-feira, 23 de novembro de 2020

III Simpósio: Educação Popular, a construção e desenvolvimento de práticas educacionais (GAPAF - UNESP Franca/SP)

III Simpósio: Educação Popular, a construção e desenvolvimento de práticas educacionais, promovido pelo grupo de extensão Grupo de Alfabetização Paulo Freire (GAPAF), UNESP Franca/SP.

No dia 25/11, das 08h às 08h45, ministrarei a Conferência intitulada "A arte como experiência sensível: cultura, educação e juventudes periféricas".

 (Clique nas imagens para ampliá-las)




sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Racismo Estrutural: enfrentamento transdisciplinar antirracista - Instituto Langage

Olá, pessoal.

Socializo o evento Racismo Estrutural: enfrentamento transdisciplinar antirracista - Instituto Langage.

Na ocasião, farei a apresentação do artigo Sobre a procura de um/a analista negro/a: psicanálise e relações étnico-raciais.

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Como enfrentar algo que estrutura e permeia as relações, e que opera como um dispositivo de extermínio de uma grande parte da população? Dada a magnitude desta questão, tomamos a iniciativa de reunir um grupo diverso de atores sociais de vários campos para pensar juntos formas de enfrentamento que ultrapassam as barreiras disciplinares. Nossa proposição busca subverter a lógica estrutural do racismo que permeia as relações dos sujeitos com o seu entorno sócio-político, a ponto de se tornar estruturante para estes, e desnaturalizar o que foi historicamente construído por uma cultura colonizadora estruturada pela lógica da escravização e da branquitude. Somente com a construção de práticas antirracistas estruturais e estruturantes poderemos combatê-lo, como aquelas que sempre estiveram presentes nos movimentos de insurreição.

Dia 21 de novembro de 2020

Das 8h às 19h

Plataforma Zoom

Programação: Clique aqui

Inscrições: Clique aqui

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Quarentena: memórias de um país confinado

Satisfação em participar da Antologia Quarentena: memórias de um país confinado com a poesia Coronavírus: o plano, pela editora Chiado.




sexta-feira, 18 de setembro de 2020

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Entre o trabalho e o cuidado

Entre o trabalho e o cuidado... Catharine é assim: chega de mansinho me chamando de pai, mô, iel... Logo me ganha...




terça-feira, 15 de setembro de 2020

O projeto de extensão Escuta Clínico-Política de Sujeitos em Situações Sociais Críticas e a roda de conversa sobre cultura Hip-Hop

Olá, pessoal.

Socializando o livro Juventudes e Contemporaneidade: Reflexões e Intervenções, de Jacqueline de Oliveira Moreira.

(Coleção - Coletivo Amarrações: Psicanálise e Políticas com Juventudes)

Foi um prazer participar da construção de um de seus capítulos intitulado O projeto de extensão Escuta Clínico-Política de Sujeitos em Situações Sociais Críticas e a roda de conversa sobre cultura Hip-Hop. 

Autores/as: Jaquelina Maria Imbrizi, Eduardo de Carvalho Martins, Marcela Garrido Reghin, Danielle Kepe de Souza Pinto e Daniel Péricles Arruda.

Clique AQUI para baixar.



terça-feira, 8 de setembro de 2020

Artigo - Lugar de Escuta: uma proposta metodológica para a mediação de conflito

Satisfação em construir mais essa parceria com Ricardo Vidal que culminou na elaboração do artigo Lugar de Escuta: uma proposta metodológica para a mediação de conflito, publicado na revista de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade de Guarulhos (UNG). 

Clique AQUI para baixar o artigo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Artigo - O que é Genocídio?

Salve, pessoal. Compartilho com vocês o meu artigo intitulado O que é Genocídio, publicado na revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN).

Clique AQUI para baixar o artigo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Imagens do Evento de Abertura do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Vivências Artísticas, Culturais e Periféricas

Salve, pessoal.

Socializo com vocês algumas imagens do Evento de Abertura do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Vivências Artísticas, Culturais e Periféricas, da UNIFESP, campus Baixada Santista.

Para discutir o tema da atividade, "Reflexões sobre a cultura hip-hop e as relações étnico-raciais", tivemos o prazer de contar com a presença de King Nino Brown e Ana Lúcia Silva Souza.

De fato, foi um momento especial, emocionante e de muito aprendizado.

...Assim, agradeço a todos/as pela presença!!!









quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Projeto Arte como Cuidado - UNIFESP/UEL

 Olá, pessoal! 

O projeto Arte como Cuidado, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Baixada Santista, em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), chegou ao fim. Nos seis encontros quinzenais, realizados durante os meses de maio, junho e julho de 2020, a finalidade foi discutir a arte e o cuidado, em tempos de pandemia, a partir da trajetória artística dos/as seguintes convidados/as: Felipe Augusto (Bobina MC), Regina Elias da Costa (Ziza), Israel Neto (Mano Réu), Akotirene Sylla, Carão e Júnia Costa. A todos/as vocês, nossos agradecimentos pela disponibilidade e por dividirem conosco conhecimento e sensibilidade. 

Agradeço à Profa. Dra. Liana e ao Prof. Me. Wesley, ambos da UEL, pela parceria, trocas e diálogos, assim como a todos/as que acompanharam as discussões e ajudaram na divulgação. 

Para que todos possam apreciar, socializamos a playlist com os encontros promovidos pelo projeto. Clique AQUI para assistir.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

O rap, a palavra e a escuta: aprendizados periféricos em um mundo desigual - Daniel Péricles Arruda (Vulgo Elemento)

 O rap, a palavra e a escuta: aprendizados periféricos em um mundo desigual

Daniel Péricles Arruda (Vulgo Elemento) 

Quando conheci a cultura hip-hop, me conheci. Quando comecei a cantar rap (rhythm and poetry/ritmo e poesia), me desenvolvi. E vivo assim, entre o rap, a palavra e a escuta. Uma tríade potente para refletir os aprendizados periféricos em um mundo desigual. Certo de que não é uma tarefa fácil falar sobre esse tema, mas o objetivo aqui é, poeticamente, expressar algumas vivências, lições e certos sentimentos que floresceram ao longo de anos de dedicação à cultura hip-hop, em especial, ao rap.

Vejam, sinto que é importante dizer que não sou um professor que canta rap; sou um rapper que decidiu construir um diálogo entre esses dois campos do conhecimento: a universidade e a rua... Não me sinto bem, sendo uma coisa só. Para mim, é triste ser uma ilha, mesmo que ela seja paradisíaca. Por isso, prefiro a pluralidade, que me faz sentir sujeito de desejo... E essa arte, em especial, é um caminho que venho construindo para cuidar da minha humanidade.

O rap, também foi, para mim, uma revolução por meio das palavras. O rap entrou na minha casa e alcançou a minha consciência. O rap me ganhou pelos ouvidos. O rap foi o meu primeiro “psicanalista”; com ele, apreendi a construir e a escutar as minhas palavras. Na adolescência, enquanto meu pai estava viajando a trabalho, no trecho, eu buscava no rap um pouco de colo: deitado na cama, chorando, com o fone de ouvido, até dormir mais tranquilo.

Quando acabava de escutar um rap, me sentia alimentado, forte, tipo: “Atitude, mano! Atitude, mina!”. Eu escutava a música e pensava: “Nossa, tem tudo a ver! Tudo a ver!”. E, de fato, para muitos jovens periféricos, o rap é uma forma de alimento, que nutre os sentidos, fortalece a existência e potencializa as ações. Eu fui percebendo que ouvir rap era muito mais do que ouvir uma música; era estar em uma aula musicada, que respeitava a minha cor, o meu cabelo, ou seja, o meu modo de ser.

Em diversos contextos, como na escola, na família e no trabalho, é comum ouvir: “A juventude não quer escutar”. Penso que, talvez, o problema não esteja na escuta, mas na qualidade do discurso e no modo como se fala. O rap fala diretamente com muitos jovens, usando a rima, o jogo de palavras, com refrãos que ficam cravados, ou com narrativas que proporcionam, de fato, a educação dos afetos.

O rap, por meio da palavra, segue pelo caminho da escuta para produzir subjetividades. O rap faz a palavra dançar, por isso é ritmo. Consequentemente, a palavra dançante subverte a ordem e a imaginação; por isso é poesia. Nessa trama, sem a escuta, o rap e a palavra ficam em questão. Refiro-me àquela escuta no sentido de não ter o ouvido como único canal de audição. Isto é, a escuta voltada para a leitura do corpo, da desobediência. Escutar não somente o ritmo das palavras, mas também do corpo poético e do mundo que o envolve.

Esses são alguns elementos que servem de base para a experiência periférica com o outro e com a vida cotidiana. Logo, é possível identificar aprendizados essenciais, como a sobrevivência, a humildade, a solidariedade, a desmistificação de que os sujeitos periféricos não são perigosos ou incapazes, o respeito, o diálogo. Esse debate é profundo. Mas, em particular, o rap me ensinou a decodificar as desigualdades, me ensinou a diferença entre teoria e prática, me ensinou que tenho o direito de reivindicar a vida, me ensinou que periferia não é somente uma condição geográfica e social, e sim um sentimento, e pulsante.

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Texto apresentado na live do dia 08/08/20. Clique AQUI para assistir.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Algumas Pistas sobre Grupos


Algumas Pistas sobre Grupos

Um grupo não se faz, apenas, por meio de um conjunto de pessoas.

Cada grupo tem o seu valor, a sua intencionalidade, constituição, dinâmica, intensidade e decomposição. Quer dizer, não é possível fechá-lo numa caixa; daquelas que a gente usa para guardar coisas pequenas...

O mundo é grupal, gente!

Porém, muitos se encontram sozinhos, mesmo estando rodeados de pessoas. Os grupos, então, contêm a sua potência subjetiva. Isto é, a questão não é somente quem faz parte, mas como o sujeito se sente ao fazer “parte”. Grupos que grupalizam, grupos grupalizados, grupos grupalizantes...

Vejam bem, é importante pensar que vivemos em diversos grupos e que, às vezes, não percebemos, sejam grupos presenciais, ou virtuais; são grupos. Há grupos constituídos por vínculos de sangue, nome, profissão, territorialidade. Outros são constituídos sem que sequer saibamos o nome de quem está sentado ao lado. Que grupo será esse?

Enfim, essas são algumas pistas; reflexões para que possamos construir outras pegadas, para que as palavras, nos ouvidos, não sejam engasgadas, e que as ações grupais, no cotidiano, não sejam embargadas... Resumindo, grupos carregam aquela plaquinha: “Em construção”...

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Texto apresentado para os/as discentes da disciplina Oficina do trabalho profissional: instrumentalidade, estratégias grupais e socioterritoriais, do curso de Serviço Social - UNIFESP, campus Baixada Santista. Disciplina ministrada pelos/as docentes: Daniel Péricles Arruda, Gisele Aparecida Bovolenta e Luzia Fátima Baierl.

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